Entre Março e Outubro de 2025, 641 jovens universitários da Beira sentaram-se em círculo para falar sobre as inundações que marcam a cidade — e saíram com soluções nas mãos.
Ficha do Projecto
| Nome do projecto | Rodas de Conversa e Ação Juvenil |
| Programa | IGUAL — Iniciativas Juvenis |
| Financiamento | Embaixada do Reino dos Países Baixos |
| Coordenação | CESC — Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil |
| Implementação | Associação FACE |
| Localização | Cidade da Beira, Província de Sofala |
| Período | Março – Outubro de 2025 (8 meses) |
| Parceiros institucionais | INAM, ARA-Centro, UCM, UniZambeze, UniLicungo, ISCTAC, UniISCED, UniPiaget |
O Contexto
A Beira é considerada a cidade moçambicana mais ameaçada pelas alterações climáticas e uma das mais vulneráveis de toda a costa leste africana. Localizada na foz de grandes rios e exposta a ciclones tropicais, a cidade de mais de 500.000 habitantes vive em permanente tensão com a água: mais de 300.000 residentes enfrentam riscos directos de desastres climáticos, e 70% das casas foram danificadas pelo Ciclone Idai em 2019. Moçambique registou mais de 75 eventos climáticos extremos entre 2000 e 2023, com perdas económicas superiores a 3,8 mil milhões de euros — o país está entre os dez mais vulneráveis do mundo.
Nas comunidades periurbanas, a vulnerabilidade é mais aguda: drenagem insuficiente transforma caminhos de terra em armadilhas durante a época das chuvas, isolando famílias e cortando o acesso a serviços. Os jovens — maioria da população e mais expostos ao futuro da crise climática — estavam largamente ausentes dos espaços de decisão sobre adaptação. Não faltava vontade; faltavam mecanismos e espaços de diálogo que transformassem essa vontade em acção.
A Jornada: Das Universidades à Comunidade
Fase 1 — Escutar: Rodas de Conversa nas Universidades
O projecto começou por criar espaços de diálogo onde não existiam. Sete rodas de conversa foram realizadas em seis instituições de ensino superior da Beira — UCM, UniZambeze, UniLicungo, ISCTAC, UniISCED e UniPiaget — reunindo estudantes e membros de organizações da sociedade civil. O formato circular e a facilitação por moderadores especializados garantiram que todas as vozes fossem ouvidas. Todas as sessões foram documentadas em vídeo.
Os debates não ficaram no abstracto. Os participantes foram convidados a identificar problemas concretos dos seus bairros e a propor soluções que pudessem ser implementadas com recursos locais. Duas ideias ganharam força transversal: a necessidade de informação climática acessível para as comunidades mais vulneráveis e a construção de caminhos transitáveis durante as inundações.
💬 [Testemunho de estudante participante a inserir — ver pasta 08 → Relatório das Rodas de Conversa.docx ou Relatório Mensal de Maio 2025, secção histórias de sucesso. Formato: «Citação directa, 1–2 frases» — Nome próprio, estudante de [curso], [universidade].]
Fase 2 — Seleccionar e Aprofundar: O Seletivo de Jovens
Das rodas de conversa emergiu um grupo de jovens com perfil de liderança e compromisso com a acção. Este seletivo participou em duas rodas técnicas aprofundadas, onde as ideias gerais foram transformadas em planos executáveis. Os jovens trabalharam directamente com técnicos da FACE e com organizações comunitárias de base para definir o que era viável, onde intervir e como medir resultados.
Em paralelo, a FACE realizou um treinamento em Desenho de Projectos e Mobilização de Fundos, aberto a líderes de associações juvenis de Sofala. O objectivo: que a capacidade de transformar ideias em projectos não ficasse limitada a este projecto, mas se espalhasse pelo tecido associativo local.
Fase 3 — Agir: JoanaBot e Caminhos Seguros
A primeira ideia materializou-se na JoanaBot — um chatbot acessível via WhatsApp que entrega previsões meteorológicas e alertas climáticos em linguagem simples às comunidades da Beira. Co-criada com jovens e organizações comunitárias, a JoanaBot foi desenvolvida em articulação com o INAM e a ARA-Centro, apresentada na Conferência de Biodiversidade e em quatro universidades, e continua activa.
A segunda ideia ganhou forma no Bairro do Vaz: dois Caminhos Seguros construídos com pneus reutilizados que permitem a circulação durante as inundações, e um mural de sensibilização ambiental. No total, cinco acções comunitárias foram concentradas no mesmo local — transformando um bairro vulnerável num exemplo de adaptação liderada pela comunidade.
💬 [Testemunho de membro da comunidade ou moderador a inserir — ver Relatório Mensal de Julho 2025 (actividades dos caminhos seguros) ou Relatório Mensal de Setembro 2025 (lições aprendidas). Formato: «Citação directa, 1–2 frases» — Nome próprio, papel (residente do Bairro do Vaz / moderador / jovem líder).]
Resultados em Números
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Beneficiários directos | Mais de 560 jovens e utilizadores do chatbot |
| Participantes nas rodas de conversa | 641 estudantes universitários |
| Rodas de conversa realizadas | 7 (em 6 universidades) |
| Rodas técnicas com seletivo de jovens | 2 sessões |
| Chatbot co-criado e lançado | JoanaBot — activa via WhatsApp |
| Caminhos seguros construídos | 2 (Bairro do Vaz) |
| Mural de sensibilização ambiental | 1 (Bairro do Vaz) |
| Treinamento em mobilização de recursos | 1 (líderes de OSC de Sofala) |
| Aparições na imprensa | 8 ao longo do projecto |
| Taxa de execução das actividades | 100% (43 de 43 planificadas) |
| Divulgação em eventos | Conferência de Biodiversidade, Feira de Ideias, 50 Anos Cooperação Moçambique-Países Baixos |
O Que Fica
O projecto encerrou em Outubro de 2025, mas deixou três legados distintos.
Ferramentas que continuam: a JoanaBot permanece activa e representa uma ferramenta com potencial de replicação noutros municípios. Os Caminhos Seguros são infraestrutura física que serve a comunidade independentemente de financiamento futuro.
Capacidades instaladas: o acompanhamento técnico do CESC-IGUAL fortaleceu a FACE em gestão financeira, procurement e monitoria — competências que permanecem na organização. O treinamento em fundraising espalhou esta capacidade por outras organizações da sociedade civil.
Uma demonstração: quando se criam espaços estruturados de diálogo entre academia e comunidade, e quando se investem recursos para transformar ideias em acções, os jovens respondem com protagonismo e resultados tangíveis.
[NOTA EDITORIAL: Incluir logótipos dos parceiros (CESC, Embaixada dos Países Baixos, FACE) no final da página, conforme padrão do site.]



