Em Janeiro de 2026, a cidade de Xai-Xai acordou com os pés na água. As cheias que varreram vários bairros da capital da Província de Gaza trouxeram consigo não apenas lama e entulho, mas um desafio de fundo: como manter uma cidade limpa quando tudo ao redor se torna obstáculo? A resposta da parceria FACE–CMCXX foi simples e determinada — adaptando-se, sem recuar.

O Impacto das Cheias na Cidade de Xai-Xai
Em meados de Janeiro de 2026, fortes chuvas provocaram cheias em várias zonas da cidade de Xai-Xai, capital da Província de Gaza. As águas avançaram pelos bairros periurbanos, danificaram vias de acesso e tornaram inacessível a lixeira municipal de Chongoene. A cidade, como tantas vezes acontece nesta região, via-se a braços com uma emergência que punha à prova não apenas as infraestruturas, mas a capacidade humana de responder com rapidez e criatividade.
A equipa da FACE, em articulação permanente com o Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai, não esperou que as águas baixassem para agir. Desde os primeiros dias, esteve presente — no terreno, nas ruas ainda enlameadas, junto das famílias que tinham perdido tudo. Era preciso fazer mais com menos, e foi exactamente isso que aconteceu.

Fazer Diferente para Fazer Mais
Quando os meios habituais deixam de funcionar, é a criatividade que toma o comando. A equipa ajustou os turnos de varredura para o período matinal, garantindo maior segurança às equipas e melhor visibilidade no terreno. Com a lixeira principal inacessível, os resíduos recolhidos foram depositados temporariamente nas vias erodidas pelas cheias — contribuindo, dessa forma, para tapar os buracos abertos pela água. Uma solução que transformou o problema em parte da resposta.
Com os meios de recolha reduzidos a um único veículo operacional, parte do pessoal foi redirecionada para as equipas de varredura — maximizando cada recurso disponível. E quando faltou material de trabalho, foram as próprias escolas transformadas em centros de acolhimento, e os jardins municipais, a emprestar o que tinha: vassouras, pás, equipamentos. A solidariedade do território ao serviço da sua própria recuperação.

Higienização e Apoio nos Centros de Acolhimento
Uma das respostas mais humanas desta emergência foi a mobilização de equipas para os centros de acolhimento de deslocados. Centenas de famílias tinham encontrado refúgio na Escola Secundária Unidade 2 de Patrice Lumumba e na Escola Secundária de Tavene — e a FACE estava lá, garantindo que mesmo nas condições mais difíceis, as pessoas pudessem viver com alguma dignidade.
A parceria integrou trabalhadores municipais directamente afectados pelas cheias nas operações de limpeza e higienização desses dois centros. Quem tinha perdido a casa encontrou, neste gesto, uma forma de continuar a trabalhar, de ser útil, de resistir. Esta intervenção, pequena nos números mas enorme no significado, garantiu condições mínimas de higiene para as famílias deslocadas.

Uma Parceria Reconhecida na Estrutura de Emergência
O trabalho da parceria FACE–CMCXX não passou despercebido. A equipa foi formalmente integrada no Centro de Operações de Emergência (COE) municipal, sob coordenação da Direcção de Saúde. Sentar à mesma mesa que os outros actores da resposta de emergência foi, ao mesmo tempo, um reconhecimento e uma responsabilidade. A gestão de resíduos, muitas vezes esquecida nos momentos de crise, afirmou-se como componente essencial da resposta humanitária.
Campanha de Limpeza e Recuperação Urbana Pós-Cheias
Com a situação de emergência a estabilizar, chegou o momento de olhar para a cidade e começar a devolver-lhe a normalidade. No início de Fevereiro de 2026, a parceria FACE–CMCXX lançou uma campanha de limpeza urbana de grande escala. Equipas de trabalhadores municipais e voluntários foram às ruas recolher resíduos acumulados, entulhos, detritos — os vestígios físicos de semanas de crise.
A campanha teve visibilidade institucional significativa, com a presença de responsáveis municipais e cobertura mediática. Mais do que uma operação de limpeza, foi um sinal — o sinal de que a cidade estava a levantar-se, e de que a parceria FACE–CMCXX estaria sempre presente nesse processo, do primeiro ao último dia.

Aprendizagens e Impacto da Resposta de Emergência
As cheias de Janeiro de 2026 deixaram marcas na cidade — mas também deixaram aprendizagens que ficarão. A capacidade de adaptar horários, rotas e alocação de pessoal em tempo real provou ser determinante para manter os serviços essenciais a funcionar. A integração no COE mostrou que a gestão de resíduos tem um lugar legítimo na resposta a emergências urbanas. E a presença constante de uma estrutura de coordenação local demonstrou, uma vez mais, o valor de estar no terreno, todos os dias.
Mas talvez a lição mais profunda seja humana: quando a crise chegou, a equipa não se fragmentou — uniu-se. Trabalhadores que tinham perdido as suas próprias casas continuaram a trabalhar, a servir a cidade, a cuidar dos seus vizinhos. Essa solidariedade, silenciosa e tenaz, é o coração de tudo o que a FACE faz.


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